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27.11.08

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Eu tenho um frasco de shampoo cativo lá no meu banheiro. Ele só tem um dedinho de shampoo, mas não consigo nem usar nem me desfazer dele: me apeguei ao frasco azul do pior shampoo que usei na minha vida.
Ele está lá, na mesma posição que deixei desde a última vez que usei, em meados de junho de 2006 quando me irritei com a pouca qualidade do produto.
Minha mãe já fez diversas tentativas de me convencer a jogar fora, mas é infinitamente mais forte do que eu, fico arrumando inúmeras desculpas para mantê-lo lá.
Aliás, a desculpa carro-chefe é sempre a mesma: fez parte de um período maravilhoso da minha vida.
Assim como o frasco do shampoo existe outras coisas como canetas, pulseiras, chaveiros, músicas, e até esse blog(!), porém normalmente o que guardo são essas miudezas inúteis que eu sei o dia que ganhei cada uma delas.
Gosto de ter essas coisinhas ao meu alcance para que as olhe e lembre do que estava fazendo quando elas apareceram.
Olhar para o shampoo, me sempre me traz de volta os radiantes cabelos vermelhos que eu tinha, os cabelos por sua vez me lembram a escola técnica, e essa me traz o dia que tomei muito cedo a decisão que me norteia os dias até o momento.
Não gosto de ver fotos. Na verdade eu acho fotografia uma das coisas mais incríveis que o homem inventou: ela eternizou aquele segundo. Me dá um pouco de medo olhar para as fotos da escola técnica e ver um colega já falecido, sorridente me abraçando, ali, para sempre nos seus 18 anos de idade.
O produto em si não tem o menor valor, mas tudo o que ele me lembra é o mais precioso tesouro que tenho, merece ser bem guardado.
Eu tenho uma caixinha de metal que só eu abro e ali está tudo que eu tenho de mais importante: Canetas que já não funcionam, cartinhas de amigas que escreveram quando eu estava na sexta série, pulseira de área VIP, ingressos de shows e agora um ipod quebrado.
Um monte de lixo que eu olho e acho significado como o ipod que meu digníssimo juntou dinheiro para me dar, as canetas que as minhas amigas compraram em algum lugar lembrando de mim, as cartinhas dizendo o quanto eu era importante naquela época em que eu me recuperava da depressão, o ingresso quase apagado do melhor show que fui na minha vida. Nenhuma foto.
Desfazer-me daquela caixa é como rasgar um pedaço de quem sou, renegar um passado recente.
Sou apegada ao meu passado, as minhas conquistas bobas, as minhas conversas antigas, aos meus velhos hábitos. A cada dia que passei, conquistei algo novo: a oportunidade de viver mais aquele dia. A única certeza que temos é do passado, o amanhã, ninguém sabe, mas se eu viver o amanhã eu preciso me galgar no que vivi para ter as minhas opiniões e navegar em mares desconhecidos.
Olhar para trás é muito importante, me mostra quem sou.
Uma foto diz mais que mil palavras.
Mas tudo isso fala a minha vida.