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13.02.10

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Eu namorei um determinado par de sapatos por um ano. Sério, namorei mesmo, ao ponto de pelo menos uma vez por semana ir na loja ver se ele ainda estava lá. Era lindo, salto 10, preto com detalhes em dourado e muito delicado. E o detalhe mais importante: muito caro. Na verdade muito caro para mim, que sigo um dogma de nunca dar mais de 100 reais em um sapato.
Se você abrir minha sapateira irá ver um monte de sapatos de grife, lindos, maravilhosos – e muiiiito altos, tem que compensar né, o digníssimo tem 2m de altura – que eu comprei todos (sem exceção) em alguma mega liquidação com 70% de desconto. O sapato mais caro que tenho custou 99 reais, 1 real a mais e eu não levava.
Mas essa loja nunca entrava em promoção. O sapato continuava na sua redoma custando 300 reais, enquanto eu me imaginava usando aquele modelo extremamente desconfortável e lindo. Perdi a conta de quantas vezes ensaiei passar o glorioso cartão de crédito e dividir em 20 vezes.
Essa semana como de costume, fui lá namorar meu sapato e para minha completa surpresa estava toda a loja em liquidação…mas melhor que isso, meu sapato estava lá! Parti como uma drag desvairada em cima do meu salto 12 e ao confirmar minha certeza que tinha UM ÚNICO PAR naquele modelo no MEU NÚMERO (34), custando R$99,90.
(Vamos abrir um leve parêntesis na história, eu sempre me dou bem em liquidação, pelo visto aqui em RoçaCity não tem muita gente que usa 33/34)
Foi o tempo de jogar meu outro sapato e a bolsa em cima do pufe quando uma metida a gostosa pegou meus sapatos. O mundo parou em uma batida de coração e tudo entrou em câmera lenta – a lambisgóia havia pego o meu sapato.
- Moça, eu estava indo pegar esses sapatos – Bateu um desespero assim, anormal. Eu sabia que ela tinha sido mais rápida, mas aquele par fazia parte dos meus dias.
- É mas quem pegou fui eu. – Disse com um sorrisinho de desdém.
Na hora tive vontade de puxar os cabelos delas e arrastá-la pelo chão da loja. Sentei do lado dela e reparei como ela tentava enfiar – como diria mamãe – Rio de Janeiro dentro de RoçaCity. O pé da mulher era muito maior do que o sapato, e ela tentava espremer o coitado no sapato. E ela sabia disso, mas estava disposta a entrar em um jogo para não me dar a droga do sapato
- Moça, posso experimentar os sapatos. Se não der eu te devolvo. – Comecei sentindo a espuma de formando na minha boca. Não dava nela, por que insistir?
- Não vai dar em você mesmo. – E jogou os saltos em cima de mim, arranhando a pele da minha mão.
Eu agora entendi como deve ter se sentido a Cinderela ao vestir o sapatinho de cristal. Coube com perfeição absoluta e teve o gostinho de vitória duas vezes.
- AHHHH FICOU LINDO – Comecei a falar alto para ela ouvir
- Tomara que você caia e quebre o pé. – Disse me fuzilando de raiva.
O sapato teve o gosto de vitória duas vezes – o preço e o filho perdido que voltou. Pode até ser que eu caia e quebre o pé, mas tudo que nós desejamos retorna em dobro, e se acontecer pelo menos será algo que ela não tem. Vaca.