18.05.09
Sempre tem um estrupício desalmado que lembra das derrotas da nossa vida; Todo mundo teve aqueles momentos péssimos, que se pudessem ser apagados te garanto que muita mulher venderia os rins para adquirir tal feito, para esses momentos, é fato, não há escapatória, se até a Miss mais Miss passa por alguma situação constrangedoras, então por que nós, meras mortais não passaríamos? O salto mais-que-perfeito que quebrou quando desfilava na calçada de Buracolândia, exame ginecólogico, tomar um pé na bunda bem dado, ouvir que ele tem uma namorada e gosta muito dela, fazer aquele exame do sopro no oftamologista, encher a cara e acabar vomitando os bofes em cima do sofá (ou da cama, ou no pé daquele amigo…), cortar o cabelo e ficar uma merda, a calça jeans não fechar mais, entre outros tantos, mas nada se comparou ao que minha amiga me lembrou:
Meu primeiro beijo.
Mas você deve estar pensando como assim o momento único e esperado da adolescente de dar então aquele mágico beijo, pode ter sido ruim.
Para mim a situação era mais temida do que hoje é a menstruação atrasada, foi fatídico!
Era verdade que eu estava extremamente insatisfeita com a minha atual situação, visto que eu nos auge dos meus quase 13 anos era a única BV (vocês se lembram dessa maldita sigla?) da sala, uma vergonha, no meio de meninas que já não eram mais nem o “V” sozinho eu ainda era BV.
Eu nunca saía, meus pais jamais me deixariam ir às festinhas da época e o pior ainda estava por vir: eu estava apaixonada.
Foi a partir daí que minha fama de bem-resolvida começa, uma vez que sou eu quem sempre chego nos caras. Eu me apaixonei, corri atrás dele, fiz loucuras para que ele notasse minha presença, sentia naquele meu primórdio de coraçãozinho de pedra que estava em fase de formação, que um dia nós iríamos ficar, então eu precisava treinar com os errados para o dia que eu beijasse o certo, nossas rotinas acabarem se encontrando no altar. Então resolvi apelar para o estrupício desalmado do inicio do post, na verdade seria “a” estrupício, minha amiga.
Naquela época eu era o que tinha de pior nos dois mundos, anti-social e CDF, uma tristeza minhas queridas, a melhor solução que eu via em meu horizonte era pular do despenhadeiro, até que assim eu seria lembrada para a posteridade: “Jovem de 12 anos pula do despenhadeiro por nunca ter sido beijada” quase um conto de fadas!
A amiga prática, arrumou o bofezinho para resolver meus problemas.
Lembro-me como se fosse hoje de manhã, ela conseguiu me tirar da aula de inglês para dar a sentença:
- Arrumei para hoje.
Romântico, não? “Arrumei para hoje” quase uma poesia. Já imaginei o tipo que arrumou, deveria ser aquele garoto estranho que colava meleca debaixo da carteira, no mínimo.
- É o João. – chamaremos o individuo assim.
- Quem?
- João. Aquele meu amigo do 1º ano, que joga no time oficial de vôlei, ahh você conhece, ele te acha uma gracinha e topou.
Naquele momento o relógio parou, é claro que eu conhecia o João, eu também jogava no time de vôlei. Ele era bem mais velho que eu, bonitão, malhava, tinha olhos claros e fazia metade da escola babar por ele, a paixonite das meninas do ginásio, das celebridades e trend setters juvenis da escola.
- Amiga, ele sabe quem sou eu? Sabe que sou eu? Ele deve estar confundindo com a Elise…
- Hoje na biblioteca, 10hrs. E ele sabe que é você, sua babaca.
Foi naquele dia que eu descobri que o tempo é um negócio relativo. A cada piscada de olho já tinham se passado 2 minutos e não tardou muito a dar 10hrs.
Lá fui eu, andando dura até a biblioteca, parecia que tinha um enxame de borboletas no estômago, os joelhos magros poderiam se partir a qualquer momento. Bem, subi as escadas e o encontrei naquele cantinho da biblioteca que se falasse ia contar quem era o verdadeiro pai do filho da fulana, quem estava pegando quem, bem, agora ele também teria minhas memórias.
Batemos um papinho sobre as coisas cotidianas, vôlei, e ele disse que gostava do meu papo, elogiou meu jeito irônico de conversar e o sarcasmo com a própria sombra (isso é que eu me lembro da conversa), depois me beijou…
…Agora pára tudo. O quê que foi aquele beijo? NINGUÉM ME DISSE QUE TINHA LÍNGUA NA PARADA! Eu achava que era só abrir a boca e virar de um lado para o outro, entende? Eis então que eu me deparo com uma língua, que aula eu perdi? Não, não perdi, realmente deveria ter língua. Derrota total.
Fiquei assustada, enojada entre outros. Mas mantive a pose, afinal de contas eu já era uma pessoa chique. Acabou o intervalo, acabou a ficada.
No dia seguinte houve o treino, nos encontramos novamente “COMOFAS?”, durante as folgas do treino ele tentava me beijar, bem, até onde eu sabia ele deveria me pedir novamente, não tinha acabado?
Resumindo o barangolé todo: Acho que ele se sentiu descartado, coitado, e começou a espalhar para toda a escola que tinha feito outras coisas comigo.
Obviamente eu nunca mais falei com ele, pelo menos enquanto estudávamos lá, mas curti bastante a idéia das meninas ficarem com invejinha de mim porque supostamente eu tinha feito com ele, o que elas queriam fazer.
Eu virei chacota das amigas mais intimas depois que eu comentei que não sabia que beijo tinha língua.
Hoje em dia, quase oito anos depois, eu ainda passo meio que fugindo do rapaz (que estuda lá na faculdade), e acabo rindo sozinha da minha própria desgraça.
Ele, óbvio, sem entender nada.

11 Comentários »
Nossa isso me fez lembrar a catástrofe que foi meu 1º beijo, foi tão ruim mas tão ruim que eu e o garoto fujimos um do outro até hj. Bom final de semana para ti.
Thuanny, seu último post foi: 22? presente!
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Luize ou NeO_GirL, como você quiser e preferir. Luso-Brasileira. Nascida no Estado do Rio de Janeiro, aqui no Brasil, em um dia quente de Janeiro. Última filha dos anos 80. Graduanda de Administração na 






Meus deus, beijar sem saber que tem língua na parada… deve ser nojento mesmo ><
Coitado! xD
Beijos