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10.05.09

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Minha despedida de solteira. Minhas amigas bêbadas brindando os poucos desconhecidos que passavam na frente de casa a essa hora, eu seminua, já tinha dançado, adivinhado os presentes que iam desde panelas esmaltadas até as calcinhas comestíveis, comido bastante, nem parecia que em poucas horas eu estaria levantando para usar o vestido de noiva confeccionado apenas para mim, bordado no meu corpo. Meu último dia de solteira, o último dia antes de dizer o “sim” tão esperado dos últimos tempos …as meninas combinavam de sair bêbadas para o clube das mulheres, por elas eu também teria que fazer o que o meu noivo na altura do campeonato também estava fazendo, divertindo-se com outra pessoa paga.
O noivo era um bom partido, empresário, ganhava consideravelmente bem, quase trintão, sarado, metódico e extremamente organizado, o sonho de qualquer garota, em breve eu seria sua senhora, dona de um apartamento mobiliado com vista eterna para o mar, andaria no seu carro importado e seria mais uma dona-de-casa sem sal, como muitas que existem apenas para procriar e gastar parte do salário do marido em salão com suas futilidades. A verdade é que em anos de relacionamento, nem eu sabia o porquê estava com ele, apenas estava, e se não estivesse talvez a minha existência passasse despercebida pela tão elegante sociedade norte-fluminense. Era minha última noite antes de abdicar tudo pelo que lutei, casar com ele era como rasgar meu diploma, já que insistia para que não trabalhasse, rasgar os resultados dos concursos, ver que as horas dispensadas em anos anteriores não serviram de nada. Era minha última noite, eu ainda tinha assuntos pendentes a serem resolvidos.
Aos pouco mais de 3 meses de gravidez minha magreza excessiva era interrompida na região do abdômen com uma protuberância que me lembrava que ali tinha uma vida, uma vida que eu não desejei, mas que ao mesmo tempo era a mais desejada, era o inicio das minhas tantas mentiras que me levariam ao inferno, um filhinho que eu não sabia o sexo ainda, que era paparicado pelos futuros avós, pelo meu noivo, pelas amigas. A mulherada já tinha se arrumado e buzinavam como loucas para eu terminar de me vestir, gritei a elas dizendo que eu pegaria um taxi e já estaria aparecendo por lá; Era minha última noite. Eu tenho assuntos a resolver.
Peguei meu carro e rumei no sentido contrário do “Clube das Mulheres”, segui a um bairro mais no centro, parei em um prédio, deixei o carro em cima da calçada, suspendi meus pés sobre a calçada e pendurei o corpo na grade, a luz do quarto dele estava acesa, peguei uma brita no chão e mirei a parede, essa fez um barulho e caiu no chão, ele abriu a janela e olhou surpreso para mim.
Ele era um rapaz nos seus vinte e tanto anos, com um sorriso e os olhos mais lindos do mundo, funcionário público de uma grande empresa, tinha uma vida modesta, seu carrinho mil financiado, seu apartamento em um longo financiamento, usava uma grossa aliança prata na mão direita, no momento estava com uma perna enfaixada devido a uma fratura no fêmur e era o grande amor da minha vida.
Não chegou a falar, ou contestar apesar de seu rosto parecer querer dizer algo, enlaçou o seu corpo no meu ali mesmo começou a beijar a nuca

Não posso fazer isso, vou me casar amanhã

Beijava as bochechas

Quanto sofri por sua causa, mudei de paí­s, mudei de hábitos para te esquecer

Beijava calorosamente minha boca

Quanto falamos um para o outro, o que nós fizemos, o quanto nos magoamos. Amanhã poderia ser você e não ele.

As mãos subiam e desciam enquanto entrávamos no seu quarto.

Por que não deu certo? O quanto eu te quero.

E a noite rolou como se fossem segundos, tudo mágico e sonhado, como se fosse a primeira vez de uma princesa. Acordei aninhada em seu peito com os raios de sol no rosto, ele continuava dormindo como na última vez que o vi, agora não estava machucado. Levantei sem fazer barulho, me vesti, tirei um post-it da bolsa escrevi um bilhete colando de leve na parede branca, perto de onde tinha uma foto sua com a namorada (ainda) loura e magra.

Estou grávida e o filho é seu.

Para ver a primeira parte: Clique aqui





    






8 Comentários »


    5. May 14th, 2009 às 2:56 pm || Clique aqui para quotar o comentario

    Ai, Lu!

    Essa história já está me dando agonia. Se eles eram tão perfeitos um para o outro, por quê não ficaram juntos quando nada os impedia? Creio que essa história não é verídica, mas existem muitas pessoas assim por aí. Para mim são doentes, pois buscam o sofrimento. Masoquismo tem limite!

    Beijos e sucesso!!!




    6. May 14th, 2009 às 9:30 pm || Clique aqui para quotar o comentario

    Dio Mio!
    Quero continuação dessa história, tá ficando muito boa!!
    Não nos mate de agonia.
    beijos




    7. May 14th, 2009 às 9:37 pm || Clique aqui para quotar o comentario

    e o marido sem sal tmb eh corno?
    larga o carinha sem sal e fica com o pai do filho dela.
    pegha o vestido de noiva e sai andando por ai
    se for bonito,vende e ganha dinheiro com isso!

    little bia, seu último post foi: I´m losing you




    8. May 17th, 2009 às 11:11 am || Clique aqui para quotar o comentario

    As pessoa se machucam e por algum motivo decidem que a mentira é um melhor caminho de vida.

    Quando vamos perceber que temos sim escolha?

    Beijos






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