Eu tenho um frasco de shampoo cativo lá no meu banheiro. Ele só tem um dedinho de shampoo, mas não consigo nem usar nem me desfazer dele: me apeguei ao frasco azul do pior shampoo que usei na minha vida.
Ele está lá, na mesma posição que deixei desde a última vez que usei, em meados de junho de 2006 quando me irritei com a pouca qualidade do produto.
Minha mãe já fez diversas tentativas de me convencer a jogar fora, mas é infinitamente mais forte do que eu, fico arrumando inúmeras desculpas para mantê-lo lá.
Aliás, a desculpa carro-chefe é sempre a mesma: fez parte de um período maravilhoso da minha vida.
Assim como o frasco do shampoo existe outras coisas como canetas, pulseiras, chaveiros, músicas, e até esse blog(!), porém normalmente o que guardo são essas miudezas inúteis que eu sei o dia que ganhei cada uma delas.
Gosto de ter essas coisinhas ao meu alcance para que as olhe e lembre do que estava fazendo quando elas apareceram.
Olhar para o shampoo, me sempre me traz de volta os radiantes cabelos vermelhos que eu tinha, os cabelos por sua vez me lembram a escola técnica, e essa me traz o dia que tomei muito cedo a decisão que me norteia os dias até o momento.
Não gosto de ver fotos. Na verdade eu acho fotografia uma das coisas mais incríveis que o homem inventou: ela eternizou aquele segundo. Me dá um pouco de medo olhar para as fotos da escola técnica e ver um colega já falecido, sorridente me abraçando, ali, para sempre nos seus 18 anos de idade.
O produto em si não tem o menor valor, mas tudo o que ele me lembra é o mais precioso tesouro que tenho, merece ser bem guardado.
Eu tenho uma caixinha de metal que só eu abro e ali está tudo que eu tenho de mais importante: Canetas que já não funcionam, cartinhas de amigas que escreveram quando eu estava na sexta série, pulseira de área VIP, ingressos de shows e agora um ipod quebrado.
Um monte de lixo que eu olho e acho significado como o ipod que meu digníssimo juntou dinheiro para me dar, as canetas que as minhas amigas compraram em algum lugar lembrando de mim, as cartinhas dizendo o quanto eu era importante naquela época em que eu me recuperava da depressão, o ingresso quase apagado do melhor show que fui na minha vida. Nenhuma foto.
Desfazer-me daquela caixa é como rasgar um pedaço de quem sou, renegar um passado recente.
Sou apegada ao meu passado, as minhas conquistas bobas, as minhas conversas antigas, aos meus velhos hábitos. A cada dia que passei, conquistei algo novo: a oportunidade de viver mais aquele dia. A única certeza que temos é do passado, o amanhã, ninguém sabe, mas se eu viver o amanhã eu preciso me galgar no que vivi para ter as minhas opiniões e navegar em mares desconhecidos.
Olhar para trás é muito importante, me mostra quem sou.
Uma foto diz mais que mil palavras.
Mas tudo isso fala a minha vida.

8 Comentários »
Oie… ah tenho umas coisinhas materias que também sou muito apegada, coisa velha que a minha mãe não entede do porque de ainda não ter colocado fora… oras eh meu, minhas lembranças
Bjus
Gesiane, seu último post foi: Dia de colocar…
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Luize ou NeO_GirL, como você quiser e preferir. Luso-Brasileira. Nascida no Estado do Rio de Janeiro, aqui no Brasil, em um dia quente de Janeiro. Última filha dos anos 80. Noiva. Estuda Administração na 






Desde 2006? Ganhou de mim.
COmigo é uma borracha a qual estou apegada, começou c/ a desculpa que eu quebraria o mito do orkut do: “Eu nunca terminei uma borracha”, agora ela já está a mais de um ano cmg, não tive coragem de termina-la e comprei outra..ela já passou por tantas coisas cmg, tantos vestibulares, provas… inesquecível!
ahahah
;*