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05.09.08

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Eu ainda vivo em um misto de pena, com revolta.
Ninguém escolhe por sua própria vontade ficar na rua suscetível a qualquer tipo de agressão, doenças, contaminações e maldades diversas, quanto mais pequenas crianças.
Esse meu tipo de pena, era com crianças, com MST e outras minorias sociais.
Durante minha vida acadêmica vestia a camisa de lutas engajadas com para ajudar essas pessoas, contra o governo, a favor de reformas e etc bonitos.
Conforme eu fui lutando, eu vi que a classe excluída na verdade, deseja ser excluída, aliás, é mais cômodo.
Os que querem mudar são tão poucos e contaminados com muitos que ainda usam sua precária situação para tirar vantagem, não vantagem de melhorar, ou progredir na vida, mas de poder falar: “Roubei né, aprendi com os meninos que eu andava”, uma coisa é roubar por necessidade, outra porque se envolveu com outros e resolveu fazer igual.
Cada dia que passava mais eu via esses casos, em grupo de 10 pessoas, 8 eram assim. Minha pseudo “fé na humanidade” foi para o ralo.
Meu pai era um garoto que se encaixava na classe da miséria. Até hoje quando você conversa com ele você vê o quanto ele ainda é rude, e pouco polido, palavras erradas existem aos montes. Mas minha avó e meu avô tinham DIGNIDADE e não ficavam em sinal pedindo dinheiro para alimentar suas crias, minha avó lavava roupa, meu avô era zelador, os mais velhos trabalhavam e ajudavam a criar os caçulas.
Nem por isso papai largou a escola, o que era feijão-com-arroz da época ele fez, o extra que foi a escola técnica ele terminou a pouco tempo, meu veterano!
Aliás, eu acho um absurdo as mães pedindo dinheiro no sinal para alimentar seus filhos - que possivelmente vão pedir na rua em breve - gente, não venha com a historinha “Ahhh, mas a camisinha é cara, eu não tenho um real para a camisinha”. Ué, não faça.
Sexo está longe de ser tudo na vida, e se for fazer é o que sempre falo e penso, só faz se tiver grana para bancar se der errado. Ninguém é obrigada a colocar boquinhas no mundo, eu sou uma que pretende demorar muiiito para colocar as minhas proles no mundo (para a revolta de meus pais), caso seja obrigada a fazer, a lei está ao seu lado ninguém é obrigada a gerar filho de estupro, o aborto é permitido nesses casos. É como eu, não abortaria? Beleza, existem N+1 ONGs para te ajudarem com isso. Leis e mais leis, que basta vontade de correr atrás. Para mim o fim da picada é a história dos “filhos do bonde”.
Mas é mais cômodo ficar na rua.
Hoje o Brasil, tem uma campanha fortíssima de criança na escola, eu vi isso com meus olhos. O ensino pode estar prejudicado, mas existe, basta a oportunidade para correr atrás.
Eu estudei com um cara que não tinha cama aonde dormir, dormia em papelão, pagávamos o almoço dele, mas era esforçado, fez escola técnica comigo, e hoje é funcionário próprio da Petrobras.
Gênio? Não, esforçado. O mundo não é de quem tem talento, é de quem é esforçado.
O governo tem culpa das crianças serem desamparadas, tem. Mas como eu costumo falar do Brasil, o melhor e o PIOR do Brasil, são os brasileiros.
Mas você deve estar me lendo com uma expressão horrorizada no rosto pensando o quanto sou egoísta e elitista, mas eu pago imposto sobre imposto, não uso nada do governo, meu imposto vão para os menos privilegiados, e não posso me dar o luxo de usar um tênis melhor, ou um brinco de ouro. Por causa do próprio governo? Talvez, mas mais ainda por causa de um povo que se acomodou com o que é mais fácil.
Oportunidade existe, e assombre-se, chega para todos. Chegou para minha família, para o meu amigo e para muitos anônimos andando por ai.

Esse post foi uma idéia lançada pela *Lu*




    


6 Comentários »


    # 5. September 11th, 2008 às 7:44 pm ||

    Achei esse Tema para uma Blogagem coletiva super interessante, comentei no Blog da Lusinha que não tive tempo de fazer meu post, mas que ele irá vir!
    Como você comenta, é mais fácil e mais cômodo ser do jeito que está… Sair procurando emprego, ser superior ao colega, afirmar que roubar a terra do outro é errado é muito complicado!
    Um exemplo ótimo disso tudo é nosso presidente, que antes de chegar aonde chegou tinha ouutros pensamentos em relação aos sem terra e menos capacitados…
    Essa questão é toda muito polêmica, mas penso exatamente como a Lusinha, quem quer corre atrás!
    Beijos

    Dafne, seu último post foi: Turista?




    # 6. September 12th, 2008 às 2:04 pm ||

    teste teste e teste




    teste


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