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02.09.10

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Estou com depressão. Legal, esse foi o diagnóstico. Eu honestamente esperava algo mais aterrorizador, do tipo grave, algo no coração que indicasse um futuro infarto; Mas é só depressão. Todo mundo hoje em dia tem depressão!
Confesso que fiquei um pouco decepcionada – que absurdo! – com o diagnóstico. Eu esperava algo mais elaborado para explicar o medo que sinto irrefreável e selvagem que sinto para fazer as coisas mais simples da vida. Um medo que me consome e não me deixa viver. Um medo que me fez perder peso, aparência e ocasionalmente alguns tufos de cabelo.
É um medo que eu não desejo para ninguém, uma situação que não desejo a ninguém. Dói, machuca, arde e de fato minha vida parou nesses últimos meses. Os dias felizes parecem que foram a tanto tempo que as imagens estão apagadas.
Mas é só depressão e depressão é coisa da nossa cabeça. Ou seja, dá para ignorar. Não, não dá. Ou dá?
Eu achava que a coisa era mais séria. Achava que sei lá, devia ser coisa do coração. Um monte de fios e agulhas ficaram ligados ao meu corpo para procurar alguma anomalia no órgão. Não acharam nada de anormal, exceto um coração batendo o dobro da velocidade normal. O que não representa grandes riscos, não porque é de algo que vem da minha cabeça. O que explica aquela falta completa da vontade de sair? Aquela tristeza ao ver certas pessoas, o sentimento absurdo de culpa, desamparo, solidão e uma ansiedade que quadruplica os batimentos normais do coração?
É depressão. Eu já tinha ouvido e até tratado da tal da depressão alguns anos. Mas assim, sempre achei equivocado. Mas é aquilo, convivo com isso há aproximadamente 10 anos, as vezes de médico em médico, as vezes controlado ou não. Achava só que era mais uma frescura da alma. Doía, ah, sim doía bastante, mesmo assim, no final ainda havia uma luz – ou um terapeuta.
São 10 anos entre altos e baixos. Sem aceitar muito bem, mas é um década – das minhas pouco mais de duas décadas de vida – que convivo com que os médicos gostam de chamar de depressão.
Mas a depressão e algo tão comum, que meu desabafo – que eu juro estar escrevendo com um ar irônico ou cômico – se torna até normal e básico.
O que eu te posso dizer que sinto? Uma dor, descomunal. Um medo avassalador. E uns impulsos sem fundamento. Apesar de brincar com isso, não tenho como e nem sei qual é a melhor forma de dizer o que sinto, eu sei que eu preciso gritar o que sinto, para sei lá, não enlouquecer, talvez. Se já não estiver louca – afinal, se expor assim, só posso estar no mínimo louca. Eu não desejo isso a ninguém. Ninguém mesmo, de verdade. Porque imagina sentir algo que você não consegue falar com quem ama, e os motivos muitas vezes você nem sabem quais são – ou até mesmo não devem ser ditos, algumas coisas precisam ser para si. É passar a ver os que te amam como se a qualquer segundo deixassem de te amar e você ficar amargando na solidão. E quando tentar sair disso, acabar enfiando mais ainda os pés pelas mãos.
Meu mundo tem sido assim, e eu precisava dividir isso com alguém. Qualquer alguém. Porque isso me sufoca e eu não consigo falar. Por mais que no fundo ache tudo uma tremenda bobagem.
Parece impossível melhorar.
E o que mais desespera não é o impossível. Mas é o possível não ser alcançado.